Menos de 1% das empresas do Simples Nacional optaram pelo regime híbrido. O que esse número nos mostra?

A Receita Federal divulgou um balanço preliminar indicando que, até o momento, menos de 1% das empresas optantes pelo Simples Nacional escolheram o regime híbrido para o recolhimento do IBS e da CBS.

À primeira vista, esse percentual pode causar surpresa.

Mas será que ele realmente demonstra falta de interesse das empresas?

Talvez não.

O que é o regime híbrido?

Com a Reforma Tributária, as empresas do Simples Nacional poderão optar por recolher o IBS e a CBS pelo regime regular, mantendo os demais tributos dentro do Simples Nacional.

Essa escolha produz efeitos tributários importantes e deve ser analisada individualmente por cada empresa.

Por que a adesão ainda é tão baixa?

Neste momento, ainda não existe uma explicação oficial para esse percentual.

Entretanto, alguns fatores podem contribuir para que muitas empresas ainda estejam avaliando essa decisão.

Entre eles:

  • a necessidade de estudos específicos para cada atividade;
  • a análise dos impactos financeiros da opção;
  • a busca por orientação contábil e tributária;
  • o fato de se tratar de uma decisão inédita para milhares de empresas;
  • e o próprio período de adaptação à Reforma Tributária.

É natural que empresários prefiram compreender melhor os impactos, antes de exercer uma opção que influenciará sua forma de tributação.

Uma decisão que exige planejamento

O regime híbrido não representa uma vantagem automática.

Da mesma forma, permanecer no modelo tradicional também não significa que será sempre a melhor alternativa.

Cada empresa possui características próprias.

Perfil dos clientes.

Estrutura de custos.

Volume de créditos.

Modelo de negócio.

Tudo isso influencia a decisão.

Por isso, a escolha deve ser resultado de uma análise técnica, e não apenas da comparação entre alíquotas.

O olhar do Fiscal sem Filtro

O que mais nos chama atenção nesse levantamento não é que menos de 1% das empresas tenham feito a opção.

É o momento em que esse dado aparece.

Estamos diante da maior mudança tributária das últimas décadas.

Naturalmente, muitas empresas ainda estão estudando seus impactos.

Nos últimos meses, escrevemos diversos artigos sobre parametrização, cadastro fiscal, split payment, contratos, NCM, DeRE e comunicação entre áreas.

Todos eles tinham um objetivo comum.

Mostrar que a decisão tributária depende muito mais da preparação da empresa do que da existência de uma nova regra.

Talvez, a baixa adesão inicial demonstre exatamente isso.

Mais do que pressa para decidir, muitas empresas estão buscando compreender primeiro.

E essa pode ser uma postura prudente.

No entanto, prudência não deve ser confundida com adiamento.

Porque os prazos continuam existindo.

As escolhas precisarão ser feitas.

E quanto maior for o conhecimento construído durante esse período, mais segura tende a ser a decisão.

Essa é a principal reflexão desta notícia.

Nem sempre um percentual baixo significa falta de interesse.

Às vezes, ele revela que milhares de empresas ainda estão percorrendo o caminho mais importante de todos.

O caminho da compreensão.

Porque, na Reforma Tributária, escolher um regime não significa apenas marcar uma opção no sistema.

Significa compreender como aquela escolha dialogará com toda a operação da empresa.

Continue aprofundando sua preparação

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Porque, no Fiscal sem Filtro, mais do que explicar regras, buscamos compreender seus impactos.

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