Apuração assistida na Reforma Tributária: simples na teoria, desafiadora na prática

Um dos pontos mais comentados da Reforma Tributária é a chamada apuração assistida, modelo que promete trazer mais automação, integração de informações e simplificação no cálculo dos tributos.

Na teoria, a proposta parece eficiente: os documentos fiscais emitidos pelas empresas alimentarão automaticamente a plataforma da administração tributária, permitindo uma apuração mais integrada e automatizada do IBS e CBS.

Porém, na prática operacional das empresas, o cenário pode ser muito mais complexo do que parece.

A grande questão é que a apuração assistida dependerá diretamente da qualidade das informações fiscais transmitidas pelos contribuintes.

Ou seja: qualquer inconsistência na emissão da nota fiscal poderá comprometer toda a apuração tributária.

E é justamente nesse ponto que surge uma preocupação importante para profissionais das áreas fiscal, tributária e tecnológica.

Muitas empresas ainda possuem:

  • cadastros inconsistentes;
  • parametrizações incompletas;
  • ERP(s) desatualizados;
  • regras fiscais manuais;
  • e baixa integração entre setores.

Na prática, isso significa que notas fiscais emitidas com erros de configuração poderão apresentar problemas no envio das informações para a plataforma da Reforma Tributária.

E a pergunta que começa a preocupar muitas empresas é:
o que acontecerá quando essas informações não subirem corretamente para o ambiente de apuração assistida?

Porque, embora o modelo seja apresentado como automatizado, a operação continuará dependendo diretamente:

  • da correta parametrização dos sistemas;
  • da qualidade cadastral;
  • da validação das regras tributárias;
  • e da conferência realizada pelos profissionais responsáveis pela operação fiscal.

Se hoje muitas empresas já enfrentam dificuldades relacionadas a:

  • rejeições de NF-e;
  • inconsistências cadastrais;
  • divergências tributárias;
  • falhas de integração;
  • e erros de parametrização;

a tendência é que esse nível de exigência aumente ainda mais com a Reforma Tributária.

Afinal, a apuração assistida não elimina a responsabilidade do contribuinte sobre as informações transmitidas.

Pelo contrário.

Ela aumenta a necessidade de conformidade fiscal, qualidade dos dados e controle operacional.

Outro ponto importante é que muitas empresas ainda enxergam a automação tributária como solução completa, quando na realidade nenhum sistema funciona corretamente sem parametrização adequada e validação técnica especializada.

O ERP não interpreta sozinho todas as particularidades da legislação.

A inteligência tributária continuará dependendo diretamente da atuação dos profissionais das áreas fiscal e tributária.

E talvez esse seja um dos maiores desafios da Reforma Tributária:
transformar um modelo teoricamente simplificado em uma operação efetivamente funcional dentro da realidade das empresas brasileiras.

Porque, na prática, a tecnologia só será eficiente quando os processos, os cadastros e as operações também estiverem corretos.

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