Split Payment: novos códigos de pagamento passam a ser obrigatórios nos documentos fiscais

A implementação da Reforma Tributária continua avançando.

Desta vez, o destaque está na definição dos códigos de meios de pagamento que deverão ser informados nos documentos fiscais eletrônicos para viabilizar o funcionamento do sistema de split payment.

O Encontro Nacional de Coordenadores e Administradores Tributários Estaduais (Encat) publicou o Informe Técnico 2026.001 estabelecendo os códigos válidos que permitirão vincular a nota fiscal à respectiva transação de pagamento. Além disso, o documento alerta que a utilização de códigos diferentes dos previstos resultará na Rejeição 1003 – Tipo de Pagamento inválido, impedindo a autorização do documento fiscal eletrônico.

À primeira vista, pode parecer apenas mais um campo obrigatório.

Mas, olhando com mais atenção, trata-se de uma informação estratégica para o novo modelo tributário.

O que muda?

Os documentos fiscais eletrônicos passam a identificar, de forma padronizada, o meio de pagamento utilizado na operação.

Entre os códigos definidos estão, por exemplo:

  • 15 – Boleto;
  • 17 – Pix por QR Code dinâmico;
  • 18 – TED;
  • 20 – Pix por chave ou QR Code estático;
  • 23 – Pix automático;
  • 24 – TEF/book transfer.

Esses códigos serão utilizados para permitir que o sistema do split payment, identifique corretamente a transação financeira vinculada ao documento fiscal.

Por que essa informação é tão importante?

O split payment depende da correta associação entre a operação documentada e o pagamento realizado.

Em outras palavras, a nota fiscal e a transação financeira passam a conversar entre si.

Para que essa comunicação ocorra corretamente, as informações precisam estar consistentes desde a emissão do documento fiscal.

Por isso, o código do meio de pagamento deixa de ser apenas um dado informativo.

Ele passa a integrar o próprio funcionamento operacional do novo modelo tributário.

Atenção às rejeições

O Informe Técnico também traz um alerta importante.

Caso seja informado um código diferente daqueles previstos nacionalmente, o documento fiscal será rejeitado automaticamente.

Isso significa que a conferência da parametrização do sistema, passa a ser ainda mais relevante para evitar interrupções na emissão dos documentos fiscais.

O olhar do Fiscal sem Filtro

O que mais nos chama atenção nessa atualização não é a criação de novos códigos.

É o papel que eles passam a desempenhar.

Durante muitos anos, diversos campos da nota fiscal possuíam finalidade predominantemente cadastral ou informativa.

Agora, algumas dessas informações passam a participar diretamente da execução da operação tributária.

O código do meio de pagamento deixa de ser apenas um registro.

Ele passa a conectar o documento fiscal ao pagamento que dará suporte ao funcionamento do split payment.

Essa mudança reforça uma característica muito presente na Reforma Tributária.

A qualidade das informações transmitidas passa a ser tão importante quanto a própria operação.

Em nossos artigos escrevemos sobre cadastro fiscal, parametrização dos sistemas, integração entre áreas e revisão de processos.

Mais uma vez, esses temas mostram sua importância.

Porque não basta emitir uma nota fiscal.

Será necessário garantir que todas as informações estejam corretamente relacionadas para que a operação aconteça sem rejeições.

Talvez, essa seja a principal mensagem desta atualização.

A Reforma Tributária está tornando cada informação da nota fiscal parte de uma operação integrada.

E, nesse novo cenário, pequenos detalhes deixam de ser apenas detalhes.

Eles passam a sustentar o funcionamento de toda a cadeia tributária.

No fim, a maior preparação continua sendo a mesma.

Processos bem definidos.

Sistemas corretamente parametrizados.

E informações transmitidas com qualidade.

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