Deveríamos descomplicar os processos. Mas será que estamos caminhando nessa direção?
Ao longo dos últimos meses, acompanhamos uma série de mudanças importantes relacionadas à Reforma Tributária.
Novos documentos.
Novas regras.
Novas obrigações.
Novos sistemas.
É natural que um período de transição traga desafios. Afinal, toda grande transformação exige adaptações.
Mas existe uma reflexão que tem me acompanhado.
Será que estamos conseguindo simplificar os processos ou, em alguns momentos, estamos criando novos obstáculos para quem precisa executá-los diariamente?
Segurança e operacionalidade precisam caminhar juntas
Antes de qualquer consideração, é importante reconhecer que proteger as informações do contribuinte é essencial.
A segurança dos dados deve ser uma prioridade em qualquer sistema público.
O ponto de reflexão não está na existência de mecanismos de proteção.
Está no equilíbrio entre segurança e operacionalidade.
Um sistema pode e deve ser seguro.
Mas também precisa ser funcional, para quem o utiliza diariamente de forma legítima.
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Quando a rotina encontra novas barreiras
Quem trabalha na área fiscal conhece bem uma atividade que faz parte da rotina de milhares de profissionais todos os meses.
O acesso aos documentos fiscais necessários para a apuração dos tributos.
No caso do Portal Nacional da Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (NFS-e), essa atividade tem exigido um esforço cada vez maior por parte de quem precisa consultar ou obter documentos regularmente.
Mesmo profissionais que utilizam ferramentas específicas para automatizar parte desse processo relatam dificuldades em realizar a captura completa dos arquivos necessários.
Naturalmente, surgem questionamentos.
Essas dificuldades decorrem das próprias ferramentas?
Das características do sistema?
Ou do aumento das camadas de proteção implementadas?
Não há uma resposta simples.
Mas existe uma percepção prática que merece ser debatida.
A experiência do usuário também faz parte da eficiência
O acesso ao Portal Nacional já exige mecanismos importantes de autenticação, como login com conta Gov.br ou utilização de Certificado Digital.
Esses recursos, por si só, já representam uma importante camada de segurança para identificação do usuário.
Ao acrescentarmos sucessivas validações durante uma atividade rotineira, surge uma reflexão inevitável.
Será que estamos protegendo as informações sem comprometer a experiência de quem trabalha corretamente?
Porque existe uma diferença importante entre impedir acessos indevidos e dificultar o trabalho de quem possui autorização para realizar aquela atividade.
O tempo também faz parte do processo
Na rotina fiscal, tempo não representa apenas produtividade.
Representa cumprimento de prazos.
Apuração de tributos.
Entrega de obrigações acessórias.
Atendimento aos clientes.
Quando uma tarefa operacional simples passa a consumir um tempo significativamente maior por causa de sucessivas validações, esse tempo deixa de estar disponível para atividades que realmente agregam valor ao processo.
Analisar informações.
Identificar inconsistências.
Prevenir erros.
Orientar empresas.
Essas sempre foram as atividades que exigem o conhecimento técnico do profissional.
Uma reflexão necessária
A Reforma Tributária nasceu com o propósito de simplificar o sistema tributário brasileiro.
Talvez esse mesmo princípio também deva inspirar a construção dos processos que darão suporte a essa nova realidade.
A tecnologia possui um papel fundamental nessa transformação.
Assim como a segurança das informações.
Mas talvez o maior desafio esteja em encontrar o equilíbrio entre proteger os dados e preservar uma rotina operacional eficiente.
Porque simplificar não significa reduzir a segurança.
Significa permitir que ambas caminhem juntas.
Finalizando
Toda transformação exige adaptações.
E certamente muitos sistemas continuarão evoluindo ao longo dos próximos anos.
Como profissionais da área fiscal, nosso papel também é contribuir com percepções construídas na prática.
Não para apontar culpados.
Mas para colaborar com reflexões que possam tornar os processos cada vez mais eficientes.
Afinal, quando segurança, tecnologia e operacionalidade caminham em equilíbrio, todos ganham.
Os profissionais.
As empresas.
A Administração Pública.
E, principalmente, o próprio contribuinte.
Porque…
Os temas mudam.
Os princípios permanecem.
Dúvidas e Comentários:
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