A Reforma Tributária não está trazendo apenas novos tributos.
Ela também está mudando a forma como as informações serão utilizadas pela administração tributária.
Entre os conceitos que vêm ganhando destaque está a chamada Apuração Assistida, um modelo que promete utilizar os dados transmitidos pelas empresas para auxiliar na apuração dos tributos de forma cada vez mais automatizada.
Embora a implementação prática ainda esteja em desenvolvimento e diversos detalhes dependam de regulamentação e evolução dos sistemas, uma coisa já parece clara:
A qualidade das informações passará a ter um papel ainda mais importante no ambiente tributário.
E essa é uma mudança que merece atenção, especialmente pelas empresas optantes pelo Simples Nacional.
O que é a Apuração Assistida?
De forma simplificada, a Apuração Assistida é um modelo em que as informações transmitidas pelos contribuintes passam a alimentar sistemas capazes de realizar cálculos, validações e cruzamentos de forma automatizada.
A proposta é reduzir processos manuais e aumentar a integração entre documentos fiscais, obrigações acessórias e sistemas governamentais.
Na teoria, o conceito é bastante interessante.
Menos digitação.
Menos retrabalho.
Mais automação.
Mais integração.
Mais tecnologia.
E quem trabalha diariamente com obrigações fiscais sabe o quanto esses avanços são bem-vindos.
O que isso significa para as empresas do Simples Nacional?
Embora o Simples Nacional possua características próprias e ainda existam etapas a serem implementadas, a tendência observada na Reforma Tributária aponta para um ambiente cada vez mais dependente da qualidade das informações transmitidas.
Isso significa que os dados enviados pelas empresas passarão a ter uma relevância ainda maior para os processos de validação e cálculo realizados pelos sistemas.
Em outras palavras:
A apuração pode se tornar mais automatizada.
Mas continuará dependendo das informações fornecidas pelas empresas.
A teoria parece simples
Quando ouvimos falar em automação, a impressão inicial costuma ser positiva.
E, de fato, existem muitos benefícios potenciais.
Mas existe uma pergunta importante que merece reflexão:
Estamos olhando apenas para a tecnologia ou também para as pessoas que alimentarão essa tecnologia?
Porque sistemas não criam informações.
Sistemas processam informações.
E alguém continua sendo responsável por:
- cadastrar produtos;
- cadastrar clientes;
- parametrizar tributos;
- emitir documentos fiscais;
- alimentar os sistemas.
O verdadeiro desafio talvez não seja tecnológico
Quando falamos sobre Apuração Assistida, muitas vezes o foco recai sobre plataformas, integrações e ferramentas.
Mas talvez o maior desafio esteja em outro lugar.
Pessoas.
Processos.
Treinamento.
Compreensão.
Adaptação.
Porque uma informação incorreta continuará produzindo resultados incorretos, independentemente do nível de tecnologia utilizado.
A importância da qualidade dos dados
Ao longo dos últimos anos, falamos muito sobre:
- cadastro fiscal;
- parametrização correta;
- emissão adequada de documentos fiscais;
- qualidade das informações.
E todos esses temas ganham ainda mais relevância em um cenário de Apuração Assistida.
Afinal, a tecnologia pode automatizar processos.
Mas continua dependendo da qualidade dos dados que recebe.
Uma reflexão importante
Talvez a pergunta mais relevante não seja:
A Apuração Assistida funcionará?
Talvez a pergunta seja:
As empresas estão se preparando para fornecer informações de qualidade para que ela funcione?
Porque a tecnologia evolui rapidamente.
Mas pessoas precisam de tempo para aprender, compreender e se adaptar às mudanças.
O papel dos profissionais
Essa transformação também reforça a importância dos profissionais das áreas fiscal, contábil e financeira.
Longe de reduzir sua relevância, a tendência é que o papel desses profissionais se torne cada vez mais estratégico.
Se os sistemas realizarem mais cálculos e validações, cresce a necessidade de profissionais capazes de analisar informações, revisar processos e garantir a qualidade dos dados.
A Apuração Assistida representa uma das mudanças mais significativas trazidas pela transformação digital do sistema tributário brasileiro.
Sua proposta é promissora e pode trazer ganhos importantes de eficiência.
Mas talvez a maior reflexão seja esta:
Nenhuma tecnologia é melhor do que a qualidade das informações que recebe.
Por isso, mais do que acompanhar a evolução dos sistemas, as empresas precisam olhar para seus processos, seus cadastros e, principalmente, para as pessoas responsáveis por alimentar essas informações.
Porque a tecnologia pode automatizar a apuração.
Mas continua dependendo de pessoas para produzir dados confiáveis.
E talvez seja justamente aí que esteja um dos maiores desafios dos próximos anos.
Mais do que explicar regras, buscamos compreender seus impactos.
Dúvidas e Comentários:
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