Até agora, grande parte das discussões sobre a Reforma Tributária tem ficado concentrada no departamento fiscal.
E faz sentido.
Afinal, IBS, CBS, documentos fiscais, apuração assistida, créditos e parametrizações impactam diretamente a rotina fiscal das empresas.
Mas existe uma área que também será profundamente impactada — e que nem sempre está participando dessa preparação como deveria:
o departamento contábil.
A Reforma não será apenas fiscal
A mudança tributária não termina na emissão da nota ou na apuração dos tributos.
Ela chegará também:
- nos lançamentos contábeis;
- nas conciliações;
- no reconhecimento de créditos;
- na formação de custos;
- nas demonstrações contábeis;
- no fechamento mensal;
- e na leitura gerencial dos resultados.
Por isso, tratar a Reforma Tributária como um assunto exclusivo do fiscal é um erro.
O contábil também precisará entender a nova lógica.
O impacto aparecerá no fechamento contábil
Com a nova estrutura tributária, informações fiscais incorretas poderão gerar reflexos diretos na contabilidade.
Créditos mal aproveitados.
Tributos classificados incorretamente.
Custos distorcidos.
Saldos inconsistentes.
Divergências entre fiscal e contábil.
E quando isso acontece, o problema aparece no fechamento.
Ou seja: mesmo que o erro nasça na operação fiscal, ele pode terminar impactando diretamente os números contábeis da empresa.
O contador precisará interpretar mais do que registrar
O novo cenário exigirá um profissional contábil mais integrado à operação tributária.
Não bastará apenas receber informações prontas.
Será necessário compreender:
- como IBS e CBS impactam custos;
- como os créditos serão tratados;
- como os tributos serão classificados;
- como as mudanças afetam margem;
- e como tudo isso aparece nas demonstrações contábeis.
A contabilidade continuará sendo essencial para traduzir a operação em informação econômica.
Mas para isso, precisará entender a Reforma também.
A ausência do contábil nessa preparação pode custar caro
Se o departamento contábil não acompanhar essa mudança desde agora, a empresa pode enfrentar:
- retrabalho;
- fechamentos mais demorados;
- conciliações inconsistentes;
- dificuldade na análise de resultado;
- falhas na escrituração;
- e perda de qualidade nas informações gerenciais.
A Reforma Tributária aumentará a necessidade de integração entre áreas.
Fiscal, contábil, financeiro, TI e operação precisarão falar a mesma língua.
Como o profissional contábil pode começar a se preparar?
De forma prática, alguns passos já ajudam muito:
- estudar os conceitos básicos de IBS e CBS;
- acompanhar os impactos na formação de custos;
- entender a lógica dos créditos;
- participar das reuniões entre fiscal, financeiro e TI;
- revisar planos de contas e classificações contábeis;
- acompanhar mudanças nos sistemas;
- e observar como a Reforma impactará os fechamentos mensais.
O profissional contábil não precisa virar especialista tributário.
Mas precisa entender o suficiente para não ficar fora de uma das maiores mudanças fiscais dos últimos anos.
A Reforma Tributária também é assunto da contabilidade
Talvez essa seja a reflexão mais importante.
A contabilidade será uma das áreas responsáveis por demonstrar os efeitos econômicos da Reforma dentro das empresas.
Por isso, quanto antes o departamento contábil participar da discussão, menor será o risco de a empresa descobrir os impactos apenas no fechamento.
Porque no novo cenário, fiscal e contábil não poderão caminhar separados.
Eles precisarão construir a leitura da Reforma juntos. 👀
