O Fim da ST em São Paulo: As Empresas Pagarão Mais ICMS?

A saída gradual de diversos produtos do regime de Substituição Tributária do ICMS em São Paulo já começou a impactar milhares de empresas em 2026.

Com segmentos como:

  • higiene pessoal;
  • cosméticos;
  • perfumaria;
  • papelaria;
  • bebidas;
  • entre outros;

deixando a sistemática da ST, uma dúvida passou a ser muito comum entre empresários e profissionais fiscais:

o ICMS vai aumentar com o fim da ST?

A resposta mais correta é:

depende da operação, da margem da empresa e da forma como o negócio está estruturado.

Mas uma coisa é certa:
o fim da ST muda completamente a dinâmica do imposto dentro da operação.

O que muda com o fim da ST?

Na Substituição Tributária:

  • o ICMS era recolhido antecipadamente;
  • normalmente por um fabricante ou substituto tributário;
  • considerando uma margem presumida de venda futura.

Com a saída da ST:

  • o ICMS volta a ser apurado normalmente;
  • cada empresa recolhe o imposto sobre sua própria operação;
  • o destaque do ICMS retorna para as etapas da cadeia.

Ou seja:
a lógica operacional muda bastante.

Então o ICMS vai aumentar?

Nem sempre.

Muitas empresas acreditam que:

“sem ST o imposto ficará maior.”

Mas na prática, isso não acontece automaticamente.

O valor final do ICMS pode:

  • aumentar;
  • diminuir;
  • ou até permanecer muito próximo do cenário anterior.

Tudo dependerá de fatores como:

  • margem de venda;
  • crédito de ICMS;
  • preço praticado;
  • operação da empresa;
  • estrutura tributária.

Em alguns casos, o imposto pode até diminuir

Isso acontece porque na ST o imposto era calculado sobre uma:

margem presumida (MVA).

E muitas vezes essa margem:

  • não refletia a realidade da operação;
  • ficava acima do preço efetivamente praticado.

Com o fim da ST:

  • o ICMS passa a incidir sobre a operação real;
  • não mais sobre uma presunção futura.

Empresas com margens menores podem sentir redução no peso tributário.

Mas o impacto no caixa muda bastante

Mesmo quando o valor total do imposto não aumenta significativamente, o fluxo financeiro muda.

Na ST:

  • parte do ICMS já vinha antecipadamente recolhida;
  • o varejo, em muitos casos, não fazia novo recolhimento relevante.

Sem ST:

  • o ICMS volta a ser apurado mensalmente;
  • empresas passam a gerar débito próprio;
  • o recolhimento entra novamente na rotina operacional.

Isso muda:

  • fluxo de caixa;
  • gestão financeira;
  • controle fiscal;
  • planejamento tributário.

O aproveitamento de crédito ganha importância

Outro ponto importante é que sem ST:

  • o crédito de ICMS volta a ter protagonismo;
  • empresas precisam controlar corretamente entradas e saídas;
  • erros fiscais podem gerar impacto financeiro maior.

Muitas empresas estavam acostumadas com operações “travadas” pela ST e agora precisarão voltar a acompanhar:

  • débito;
  • crédito;
  • saldo credor;
  • saldo devedor;
  • apuração completa do ICMS.

O impacto operacional pode ser maior que o tributário

Esse talvez seja um dos pontos mais importantes.

Em muitos casos, o maior impacto não estará no valor do imposto em si.

Mas sim em:

  • parametrização fiscal;
  • ERP;
  • emissão de notas;
  • CST;
  • CFOP;
  • controle de estoque;
  • formação de preço;
  • treinamento das equipes.

Empresas que não revisarem essas configurações podem enfrentar:

  • tributação incorreta;
  • rejeições fiscais;
  • recolhimento indevido;
  • riscos de autuação.

O fim da ST exige revisão de preços

Muitas empresas precisarão recalcular:

  • custo da mercadoria;
  • margem;
  • carga tributária efetiva;
  • precificação.

Porque a dinâmica do ICMS muda completamente sem a substituição tributária.

Em alguns segmentos:

  • empresas poderão ganhar competitividade;
  • em outros, o impacto financeiro pode exigir ajustes comerciais.

Pequenas empresas também sentirão a mudança

Mesmo empresas menores precisarão adaptar:

  • controles fiscais;
  • sistemas;
  • rotina operacional.

Muitos negócios estavam acostumados a trabalhar com:

“ICMS já resolvido na ST”.

Agora, a apuração normal retorna para a operação.

E isso exige mais atenção da área fiscal.

O fim da ST pode trazer mais transparência tributária

Apesar dos desafios, muitas empresas enxergam vantagens no novo cenário.

Sem ST:

  • o imposto fica mais alinhado à operação real;
  • reduz-se a distorção da margem presumida;
  • aumenta a transparência da tributação;
  • o crédito de ICMS volta a ser mais relevante.

Mas a adaptação exige cuidado.

O maior erro é acreditar que nada muda

Mesmo empresas que não sentirão aumento expressivo no valor do ICMS precisarão revisar:

  • processos;
  • sistemas;
  • parametrizações;
  • estratégia tributária.

Porque operacionalmente, a mudança é significativa.

Mais do que calcular imposto, as empresas precisarão entender como essa mudança afetará o funcionamento do negócio no dia a dia.

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